ESTRELAS

Do zero ao 1 bilhão (de visualizações) em seis passos, por Bruno PlayHard

Por trás de todo sucesso meteórico, existe toda uma escalada que, muitas vezes, a gente não vê. E a do Bruno começou há mais de uma década! Apesar da pouca idade - ele tem 26 anos - , ele tem tanta experiência que pode muito bem usar sua própria história pra dar conselhos pra outros empreendedores.

15h | 14 de agosto 2020 Por Capitã SOS

Quanto tempo você acha que precisa pra ir de ZERO a UM BILHÃO de visualizações no YouTube? Pra a LOUD, empresa de atuação internacional de eSports, criação de conteúdo e torneios, foi pouco mais de um ano. Criada por Bruno Bittencourt, mais conhecido como PlayHard, ela soma números gigantescos e uma estratégia de negócios inspiradora, que une um profundo conhecimento do mercado e diversificação das ofertas.

Mas, por trás de todo sucesso meteórico, existe toda uma escalada que, muitas vezes, a gente não vê. E a do Bruno começou há mais de uma década! Apesar da pouca idade - ele tem 26 anos - , ele tem tanta experiência que pode muito bem usar sua própria história pra dar conselhos pra outros empreendedores.

E foi por isso que chamei ele pra vir bater um papo aqui no SOS Me Poupe! Afinal, você pode achar que seu negócio está muito longe do dele, tanto na área como no tamanho. Mas eu garanto que a experiência e os aprendizados, os altos e baixos, são mais comuns do que você imagina.

Então, preste atenção nos seis principais conselhos que anotei da nossa conversa pra aprender a identificar oportunidades, entender o mercado que você está e até saber a hora de mudar e pra onde apontar seu barco se o mar parar de dar peixe.

1. Faça algo com o que as pessoas se identificam

A trajetória empreendedora do Bruno começou quando ele ainda era adolescente e nem tinha ideia do que era empreender: o primeiro dinheiro que ganhou pela internet foi pelo Orkut, quando tinha uns 12 ou 13 anos. Ele era dono de algumas comunidades com centenas de milhares de membros.

Quando não estava na escola, ele estava na internet. Por isso, passava muito tempo administrando e divulgando essas comunidades. "Aqueles scraps que você recebia divulgando uma comunidade que você não queria, fui eu que mandei!", me contou rindo. Apesar disso, essas divulgações davam tão certo que ele até foi pago por outros administradores de comunidades pra fazer esse trabalho.

A divulgação era um dos segredos do sucesso de suas comunidades, mas outro também era o objetivo por trás da criação: elas TINHAM que ter o maior número possível de pessoas. Então, as pessoas precisavam se identificar. "Eram comunidades sobre temas genéricos, como 'Eu amo viajar' ou 'Eu adoro filmes'. A que mais cresceu foi a 'Eu sei a tabuada do 1'! Meu pensamento era que qualquer pessoa que visse, ia querer entrar", raciocina.

2. Ofereça o que as pessoas precisam

Quando o Orkut foi tirado da tomada, Bruno já estava em outra. Mas, antes de abandonar o barco, ainda conseguiu vender suas comunidades e ganhar algum dinheiro. A essa altura, ele já estava no Ensino Médio, onde treinava basquete na escola e participava de campeonatos. Isso exigia que tivesse uma rotina bem parecida com a de um atleta.

Nessa mesma época, o Instagram foi lançado e ele começou a aproveitar a plataforma pra mostrar seu dia a dia: treinos, alimentação saudável e suplementos viraram seus temas centrais na nova rede social. Como resultado, o perfil teve um sucesso gigantesco: ele conta que chegou a uns 80 mil seguidores. Na época, isso o colocava entre um dos maiores perfis do Brasil.

Como os suplementos que tomava eram importados e custavam muito caro no país, PlayHard começou a importá-los ele mesmo de sites americanos. Um dia, um amigo pediu que lhe vendesse um suplemento que tinha sobrando e ele percebeu que existia uma demanda: poderia realmente revendê-los por um preço mais acessível e ainda obter lucro. "Hoje, isso é conhecido como dropshipping. Foi assim que consegui bancar a maior parte dos meus gastos quando saí da casa dos meus pais pra ir pra faculdade", lembra.

3. Saiba o seu valor

Ainda por causa do seu perfil fitness no Instagram, PlayHard começou uma parceria com uma empresa brasileira de suplementos. Em certo momento, essa empresa fez uma proposta: ser contratado para cuidar das redes sociais dela. "Então, eu fui trabalhar pra eles, sendo que eu tinha algo que era muito mais valioso". O erro, segundo o próprio PlayHard diz, foi que começou a investir muito tempo em algo que não valia tanto quanto seu próprio produto e, portanto, não daria tanto retorno.

Logo, ele se viu sobrecarregado: juntando os estudos da faculdade de Ciência da Computação, o trabalho nessa empresa e tudo que ainda fazia nas suas próprias redes, ele estava ficando sem tempo. Pra "piorar", ele tinha acabado de arrumar mais uma responsabilidade: um canal no YouTube.

4. Avalie com atenção seus próximos passos

Então, chegou a hora de decidir: algo ia ter que ficar de lado para que as outras coisas pudessem andar. E foi o perfil fitness, que ele antes via como seu produto mais valioso, que foi largado. "Eu queria ficar só trabalhando pra essa outra empresa, já estava lá há mais ou menos um ano e meio", analisa. Mas a aposta não foi tão certeira: "Ela faliu, e eu fiquei sem o perfil de treino e sem o emprego".

No entanto, a priorização pelo canal recém-lançado no YouTube em vez do perfil que já tinha há anos não foi sem motivo. Ele vinha acompanhando a plataforma e via o quanto ela estava crescendo. Por isso, decidiu: se era pra voltar a se dedicar a ter seu próprio produto, seria num lugar onde tinha mais chances de se destacar. Então, voltou a criar conteúdo, dessa vez no YouTube, uma plataforma que estava em ascensão e ainda tinha uma concorrência relativamente baixa.

"Na época, eu não tinha experiência de mercado pra fazer um plano de negócios, avaliar concorrentes, saber as demandas do mercado... Mas eu vi esse mercado se aquecendo e percebi que não encontrava quase ninguém falando desse jogo no Brasil", relembra. O jogo era Clash of Clans, que, na época, estava bombando no mundo todo. Então, ele entendeu que existia uma demanda, e que ele mesmo podia supri-la.

5. Conheça o mercado

Pra se destacar nesse novo meio, PlayHard foi estratégico: começou a fazer os vídeos do jogo que, no Brasil, ainda era pequeno. Assim, ele foi notado por outro YouTuber brasileiro que falava do mesmo jogo, e começou a ficar mais conhecido. Além disso, divulgou por conta própria, de forma parecida como fazia com as comunidades do Orkut anos antes, avisando todo mundo que conhecia sobre a nova empreitada. Isto é, a experiência que teve antes foi readequada e reaproveitada no novo empreendimento.

Podendo focar todo o tempo nessa nova oportunidade, Bruno adotou o apelido PlayHard e se tornou o maior YouTuber de jogos pra celular do Brasil. Além disso, é um dos maiores do mundo - atualmente, tem mais de 12 milhões de inscritos. E, ao longo dessa escalada, pôde aprender muito sobre a área, inclusive trabalhando com centenas de empresas parceiras.

Esses aprendizados também trouxeram uma visão de empreendedorismo que, antes, ele não tinha. "Eu ganho muito dinheiro no YouTube, tô extremamente satisfeito. Faço algo que amo, não poderia escolher nada melhor. Mas e se eu ficar doente? Perder a voz? Acabou. Então, não é sustentável". Esse pensamento já apontava pra uma necessidade: dar um jeito de diversificar a entrada de dinheiro.

Outro ponto crítico foi quando percebeu que o jogo que tinha causado essa reviravolta em sua vida profissional já não era tão buscado pelo público. Então, precisou encontrar a nova demanda, ou seja, o novo jogo do momento, e se adaptar a ele.

Mas não foi a única vez que essa mudança no mercado aconteceu. E, quando isso ocorreu de novo, ele já sabia analisar as tendências e se antecipar ao baque. Assim, pôde aproveitar o crescimento estrondoso que esse novo jogo, o Free Fire, trouxe, e criar a sua empresa, a LOUD, em 2019.

6. Diversifique a oferta

Na LOUD, ele tem dois sócios, que conheceu ao longo de sua carreira e têm habilidades complementares. Bruno abraça mais o lado de conteúdo e marketing digital; um dos sócios tem uma visão estratégica para a expansão global do negócio; o outro é focado nas operações da empresa. "Parece que tudo que eu fiz na minha vida me levou pra esse momento, que foi a fundação da LOUD", avalia.

Mas ter uma empresa estruturada não faz com que ela esteja blindada às mudanças do mercado. No entanto, a forma como Bruno a prepara pra isso, depois de anos de experiência, é diferente. E, segundo PlayHard, a melhor forma é não depender de apenas um produto. Afinal, se fizesse isso, estaria sempre refém de algo que não está em seu controle.

"A gente expandiu pra outras verticais: música, roupas, produtos de entretenimento além de jogos... São várias verticais que geram interesse pra o público jovem, que é nosso foco", explica. A LOUD ainda tem equipe profissional de eSports e duas mansões alugadas, onde os jogadores e criadores de conteúdo treinam e dividem seu dia a dia com os seguidores.

A receita tem dado certo. A LOUD tem quase 9 milhões de inscritos no YouTube. Somam-se outros 6,6 milhões no Instagram da empresa, e mais tantos milhões nos perfis de cada influenciador contratado por ela. Além disso, já atingiu 1 bilhão de visualizações no YouTube - é o canal que chegou mais rápido nesse marco.

Os números são MUITO grandes? Com certeza! E quem vê o resultado final talvez não saiba de todo o caminho para chegar até eles. No entanto, cometer erros, reavaliar o percurso e mudar de rota é parte de empreendedor.

"É importante ter resiliência. É fácil quando você tem um resultado bom. Mas, quando você ainda está se esforçando, é essencial ver o que tá dando errado e pensar no que poderia fazer melhor", aconselha PlayHard. "Não existe tempo perdido, existe o que você não conseguiu absorver desse tempo que passou. Tudo gera aprendizado, e você tem que evoluir em cada etapa", conclui.

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