ESTRELAS

Como o consumo com propósito pode mudar vidas, por Nina Silva

Ao comprar de pequenas empresas e de autônomos que fazem parte das camadas menos favorecidas do país, você ajuda a diminuir a desigualdade social. Já pensou nisso?

19h | 29 de setembro 2020 Por Capitã SOS

Nina Silva é uma profissional com mais de 20 anos de experiência na área de tecnologia. Formada em administração e com especialização no sistma SAP, ela tem, em sua trajetória profissional, passagens por multinacionais, vivências no exterior e já chegou a liderar equipes de 60 pessoas.

Mas, por mais que fosse bem-sucedida e tivesse um currículo de peso, Nina enfrentava grandes obstáculos. E eles diziam respeito à cor de sua pele. "Por mais que eu tivesse uma performance melhor, homens brancos recebiam salários mais altos. Havia mulheres brancas, ainda que poucas. Homens negros quase não eram vistos. Mulheres negras, nem pensar", relembra.

Apesar de suas qualificações, ela sentia a necessidade de provar o tempo todo que merecia o cargo que ocupava. Até que, em 2013, Nina sofreu um burnout, que é um esgotamento profissional extremo. Então, em busca de uma nova oportunidade profissional que aliasse sua identidade a uma forma de gerar impacto na vida de outras pessoas negras, decidiu abrir um salão de beleza afro.

Mas, em seis meses, o empreendimento fechou as portas.

A tecnologia para mudar vidas

Mesmo com a curta duração, o salão ensinou importantes lições pra Nina, como a importância de um plano de negócios bem estruturado. Além disso, entendeu melhor uma questão que tinha antes: ela sentia que não pertencia ao ramo da tecnologia, mas não era esse o problema.

"Já passei por clientes duvidando de que eu fosse a gestora do projeto, perguntando se eu não era a recepcionista. Meu currículo chegava na frente e a figura chegava depois; quando as pessoas me viam, demonstravam seu real preconceito", conta.

O problema era o racismo.

Então, Nina passou a ver a tecnologia como uma solução. Afinal, pode ser uma ferramenta importante pra melhorar a vida de outras pessoas que também tivessem as dificuldades que ela enfrentou por ser negra. E entendeu que poderia, sim, usar todo esse conhecimento pra impactar outras pessoas negras.

Esse foi o início do Movimento Black Money, que tem o objetivo de estimular e promover afroempreendedores brasileiros e foi fundado em parceria pela Nina Silva em parceria com seu sócio, Alan Soares.

Afinal, empreender é difícil. Mas empreender sendo uma pessoa negra é mais difícil ainda. Apesar de 54% dos brasileiros serem negros, e 51% dos empreendedores brasileiros serem negros, a população negra ganha cerca de 40% a menos. Além disso, empreendedores negros tem três vezes mais chances de ter crédito negado em comparação aos que não são negros. "Nossas relações sociais e instituições públicas e privadas foram e ainda são constituídas a partir do racismo estrutural", explica Nina.

Consumo com propósito

Com o MBM, Nina criou um hub de soluções que fortalece o empreendedorismo negro. Além do Mercado Black Money, que incentiva comprar de empreendedoras e empreendedores negros e conta com mais de 350 lojistas, o MBM também tem uma fintech, a D'Black Bank, que oferece uma maquininha de cartão e, em breve, também vai oferecer conta digital e microcrédito, e um braço de educação para o empreendedorismo chamado Afreektech.

Um dos pilares do consumo consciente é comprar pensando no impacto social. Afinal, ao comprar de pequenas empresas e de autônomos que fazem parte das camadas menos favorecidas do país, você ajuda a diminuir a desigualdade social. Já pensou nisso?

É simples: quando você compra de um pequeno empreendedor, você não está apenas consumindo algo, mas ajudando uma pessoa a manter negócio aberto, sustentando uma família e até incentivando o desenvolvimento do seu bairro.

Ainda mais durante a pandemia, com tantos negócios se virando como dá pra se manter abertos. Foi por isso que eu criei o SOS Me Poupe!, onde você pode cadastrar seus serviços e também comprar o que precisa com ofertas exclusivas!

Como impactar MAIS?

Há diversas formas de lutar contra o racismo estrutural e ajudar a construir uma sociedade mais igualitária. E comprar de afroempreendedores é uma delas, mas não é a única. "É urgente o maior engajamento de pessoas brancas e das instituições comprometidas com a promoção, defesa e garantia dos direitos humanos na luta antirracista", convoca Nina.

Por isso, ela sugere uma série de ações contínuas que ajudam a aumentar o impacto e diminuir as desigualdades, como dar protagonismo para ativistas e profissionais negros, conhecer intelectuais negros, apoiar o trabalho de artistas negros e, ao contratar, garantir que ao menos 50% da sua equipe seja formada por profissionais pretos e fortalecer a cadeia produtiva contratando serviços e fornecedores negros.

"Esteja na linha de frente para proteger e reivindicar o direito de pessoas negras se manterem vivas e fora do sistema opressor que exclui direitos e oportunidades", finaliza.

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